Sargento da PM que vazava informações sigilosas em troca de crack prejudicou duas operações policiais, diz MPMG
18/05/2026
(Foto: Reprodução) Policial militar é preso em Formiga por suspeita de vazamento
O sargento da Polícia Militar preso na última sexta-feira (15), em Formiga, por vazar informações sigilosas em troca de crack, teria interferido em duas operações policiais realizadas em 2021 e 2022, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Na denúncia contra o policial, que não teve a identidade divulgada, o MPMG afirmou ter comprovado que, ao vazar informações sobre as operações 'Leão de Nemeia' e 'Snowblind', o sargento prejudicou o cumprimento de mandados de prisão e impediu a apreensão de uma quantidade maior de drogas.
Segundo as investigações, ele recebia 25 gramas de crack como pagamento pelo repasse de informações sigilosas a traficantes sobre ações policiais.
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Além disso, o MPMG afirmou que, em uma operação da Polícia Militar, o militar teria sido designado para vigiar uma residência alvo de buscas, mas, conforme a denúncia, ele não cumpriu a tarefa e permitiu a entrada de uma mulher no imóvel.
Em 2023, o g1 noticiou que o sargento foi afastado das funções durante as investigações da operação 'Tropa de Elite'.
O militar foi condenado pelos crimes de corrupção, associação para o tráfico de drogas e descumprimento de missão. As penas somadas chegam a 6 anos e 10 meses de prisão.
Operações frustradas
Embora a prisão do sargento tenha ocorrido nesta sexta-feira (15), as investigações sobre o caso começaram anos antes.
Em 2023, o promotor responsável pelo caso, Ângelo Ansanelli Junior, detalhou que a operação 'Snowblind', realizada em julho de 2022 e tinha como objetivo de combater os crimes de tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico em Formiga e Arcos, foi frustrada após os principais alvos conseguirem fugir.
A operação também não teve a apreensão significativa de drogas esperada pela equipe, justamente porque os investigados teriam recebido informações antecipadas repassadas pelo sargento.
As operações combatiam o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa, foto de arquivo
MPMG/Divulgação
A partir disso, as polícias Civil e Militar iniciaram uma investigação para descobrir como ocorreu o vazamento. A apuração apontou que o sargento havia repassado detalhes da operação aos traficantes.
"Em troca das informações, o policial militar recebeu uma pedra de 25 gramas de crack, avaliada em R$ 1.300", contou o promotor à época.
Com o avanço das investigações, foi descoberto ainda que o policial militar era usuário de drogas e já havia repassado informações sigilosas sobre a operação 'Leão de Nemeia', ocasião em que também teria recebido entorpecentes em troca.
À época, a operação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão e prendeu 13 pessoas. Além disso, apreendeu mais de 16 quilos de drogas, veículos, munições, cheques, R$ 21 mil em dinheiro, celulares, balanças de precisão, cofres e máquinas de cartão.
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As investigações apontaram ainda que o policial adquiriu drogas para uso pessoal de traficantes investigados na operação 'Alma à Venda', os mesmos para os quais o sargento teria vazado informações da operação 'Snowblind'.
Diante disso, o MPMG pediu o desarquivamento do Inquérito Policial Militar relacionado à operação 'Alma à Venda' para dar continuidade às investigações.
Com base nessas informações, o sargento também foi denunciado por associação ao tráfico.
Operação 'Leão de Nemeia' foi realizada em 2021 no Centro-Oeste de MG, foto de arquivo
Polícia Civil/Divulgação
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