Obstetra preso após morte de grávida e bebê foi chamado mais de 5 vezes para comparecer ao hospital em MG, diz diretor

  • 12/06/2026
(Foto: Reprodução)
Higo Moreira Fonseca Reprodução/Redes Sociais A equipe médica do Hospital São Francisco, em Três Marias, acionou ao menos sete vezes o obstetra Higo Moreira Fonseca para que comparecesse à unidade e atendesse a gestante Bárbara Luana Fernandes Aleixo, de 29 anos, segundo consta no depoimento à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) do diretor do hospital, Joaquim Pereira de Melo Neto. Apesar dos contatos, a mulher e o bebê morreram às 5h45 de terça-feira (9). A polícia passou a investigar o caso na quarta-feira (10) como suspeita de negligência médica e omissão de socorro em contra a paciente, que tinha 29 anos, e procurou atendimento na cidade que fica a 1h30 de São Gonçalo do Abaeté , onde ela morava. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp No depoimento, o diretor detalhou que a primeira tentativa de contato com o médico ocorreu às 22h08 de segunda-feira (8). Higo Moreira Fonseca estava de plantão em regime de sobreaviso e foi chamado para atender Bárbara, que estava com 30 semanas de gestação. O último contato da equipe com o obstetra foi registrado às 5h25 da manhã do dia seguinte, cerca de 20 minutos antes da confirmação das mortes. Em depoimento, o obstetra contestou a versão apresentada pela equipe médica do Hospital São Francisco. Ele afirmou que nunca foi informado de que a paciente enfrentava uma emergência obstétrica. Ao g1, o advogado do obstetra, Higor Magid Lauar de Castro Vieira, afirmou que o médico já foi colocado em liberdade e destacou que a investigação ainda se encontra em fase inicial, razão pela qual a adequada compreensão dos fatos exige cautela e dependerá da análise de todos os elementos que vierem a ser produzidos e considerados pelas autoridades competentes ao longo da apuração. Leia a nota completa abaixo. 🔍 O plantão de sobreaviso é uma modalidade em que o médico não permanece no hospital durante todo o período, mas deve ficar disponível para ser acionado e comparecer à unidade sempre que houver necessidade de atendimento especializado. Joaquim afirmou no depoimento que o médico se recusou a atender aos chamados em todas as ocasiões. De acordo com o diretor, o profissional alegava que o caso era clínico, e não obstétrico. Polícia reconstituiu ordem cronológica de ligações A Polícia Civil reconstituiu a sequência de tentativas feitas pela equipe médica para acionar o obstetra Higo Moreira Fonseca, enquanto o estado de saúde da gestante Bárbara Luana Fernandes Aleixo se agravava. Segundo os depoimentos reunidos no inquérito, Bárbara apresentava sinais de agravamento do quadro clínico, compatíveis com eclâmpsia em estágio grave. 1ª tentativa (22h08): os primeiros exames alterados: Segundo a investigação, ao dar entrada no hospital, Bárbara apresentava pressão arterial de 180 por 80 mmHg. A médica plantonista afirma em depoimento que enviou ao obstetra Higo Moreira Fonseca, por WhatsApp, os resultados dos primeiros exames. De acordo com os relatos reunidos pela Polícia Civil, Higo avaliou que os sintomas poderiam estar relacionados à ansiedade da gestante. Ainda segundo a investigação, ele afirmou que o caso não era de natureza obstétrica e, por isso, não compareceu ao hospital naquele momento. Da 2ª à 5ª tentativa: mensagens e ligações durante a madrugada: À medida que o estado de saúde da paciente piorava e novos exames indicavam aumento do risco, a equipe médica afirma ter feito novas tentativas de contato com o obstetra por mensagens e ligações telefônicas. Segundo os depoimentos colhidos pela Polícia Civil, os profissionais informaram Higo sobre a evolução do quadro clínico e reforçaram a necessidade de sua presença no hospital. Ainda assim, de acordo com os relatos, ele permaneceu em casa. 6ª tentativa (por volta das 5h): pedido de socorro diante do agravamento: Segundo o inquérito, Bárbara Luana apresentou uma piora significativa no quadro de saúde e precisou ser transferida para a Sala Vermelha. Diante da situação, a médica plantonista afiram que fez uma nova ligação para o obstetra. Em depoimento, a profissional afirmou que tentou explicar a gravidade do caso. No entanto, segundo seu relato, o médico insistiu que o atendimento deveria ser conduzido pela equipe da clínica médica e encerrou a ligação. 7ª tentativa: nova ligação e última recusa: Logo após a ligação, a equipe médica fez uma nova tentativa de contato com o obstetra. Desta vez, uma técnica de enfermagem falou diretamente com o médico e também pediu que ele comparecesse ao hospital. Segundo os depoimentos reunidos pela Polícia Civil, o obstetra voltou a afirmar que não iria até a unidade. Ainda de acordo com a investigação, às 5h17, enquanto a equipe tentava reverter o quadro crítico de Bárbara Luana na Sala Vermelha, o médico teria enviado uma mensagem ao grupo de WhatsApp do corpo clínico do hospital com o texto: "as pacientes gestantes com quadros clínicos, incluindo surtos psicóticos, sem queixas obstétricas, deverão ser conduzidas pela clínica médica". LEIA TAMBÉM: Quem é quem no esquema de família investigada por tráfico e lavagem de dinheiro Vizinho estranha portão aberto e luzes acesas, e PM encontra 110 barras de maconha PF cumpre mandados contra suspeitos de traficar 3 toneladas de cocaína Chegada do médico ao hospital Segundo os depoimentos reunidos no inquérito, quando o obstetra Higo Moreira Fonseca chegou ao hospital, por volta das 5h27, Bárbara Luana já estava em parada cardiorrespiratória irreversível. Ainda de acordo com a investigação, o anestesista de plantão defendeu a realização imediata de uma cesariana pós-morte na tentativa de salvar o bebê, que tinha 30 semanas de gestação. Conforme os autos, Higo solicitou que o material cirúrgico fosse preparado, mas decidiu não realizar o procedimento. Segundo o inquérito, o médico determinou que os kits permanecessem fechados por considerar que o tempo sem oxigenação tornava inviável a sobrevivência do bebê sem graves sequelas neurológicas. Após as mortes, Polícia Civil foi até à casa do obstetra Após as mortes, a PCMG foi chamada pelo hospital. Ao chegarem à casa de Higo para cumprir a prisão em flagrante, os policiais encontraram o médico tentando sair do local. Segundo a Polícia Civil, ele teria engatado a marcha à ré do carro na tentativa de deixar a residência. A ação foi interrompida quando uma policial sacou a arma e ordenou que ele parasse, impedindo a saída ainda no portão. O médico também negou ter ignorado chamados ou se recusado a prestar atendimento. Segundo o depoimento, a responsabilidade pela condução do caso seria da equipe de plantão. Na delegacia, Higo afirmou que encontrou a gestante sem assistência e que, ao chegar ao hospital, a médica plantonista não soube informar se Bárbara estava viva ou morta. A Polícia Civil informou que, com base nos depoimentos, documentos e demais elementos reunidos durante a apuração, incluindo a ausência do médico em parte do atendimento, equipes das polícias Civil e Militar localizaram e prenderam o obstetra. Inicialmente, Higo foi preso em flagrante por suspeita de omissão de socorro. Na delegacia, a prisão foi mantida e passou a considerar a suspeita da prática de dois homicídios. Na quarta-feira (10), a Justiça concedeu liberdade provisória ao médico, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Ele foi solto na manhã de quinta-feira (11). As investigações seguem em andamento. O Hospital São Francisco também foi procurado pela reportagem, mas não houve retorno até a última atualização da matéria. O que disse a defesa do médico "Manifestamos preocupação com a circulação de informações incompletas, especulações e conclusões antecipadas acerca dos fatos atualmente objeto de investigação. Inicialmente, registramos nosso respeito à memória das pessoas envolvidas e nossa solidariedade aos familiares que enfrentam este momento de profunda dor. É importante destacar que a investigação ainda se encontra em fase inicial, razão pela qual a adequada compreensão dos fatos exige cautela e dependerá da análise de todos os elementos que vierem a ser produzidos e considerados pelas autoridades competentes ao longo da apuração. Também é necessário esclarecer que a atividade médica em regime de sobreaviso constitui modalidade regularmente reconhecida e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina, não se confundindo com plantão presencial permanente nas dependências hospitalares. Trata-se de modelo amplamente utilizado em instituições de saúde públicas e privadas em todo o país. Da mesma forma, é importante registrar que o contexto assistencial objeto da investigação apresenta complexidade superior àquela que vem sendo retratada em parte do debate público, envolvendo circunstâncias e elementos que ainda serão devidamente analisados e esclarecidos no curso da investigação pelas autoridades competentes. A defesa reafirma sua confiança nas instituições responsáveis pela apuração dos fatos e recorda que a Constituição da República assegura a toda pessoa o direito à presunção de inocência, ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal." Assista: Erro médico em João Pinheiro vira caso de polícia Erro médico em João Pinheiro vira caso de polícia VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/06/12/equipe-medica-pediu-mais-de-5-vezes-para-que-obstetra-preso-pela-morte-de-gravida-e-bebe-fosse-ate-o-hospital-diz-diretor.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. Ainda Tô Aí

Eduardo Costa

top2
2. Segue Sua Vida

Zé Neto & Cristiano

top3
3. De Menina Pra Mulher

Gusttavo Lima

top4
4. Asas

Luan Santana

top5
5. Quero Você Do Jeito Que Quiser

Marília Mendonça & Maiara e Maraisa

Anunciantes