'Mulher' criada por IA nega em vídeo ter tido conversas privadas e ter feito convites para viagem: 'Intuito era ganhar engajamento'
14/10/2026
(Foto: Reprodução) Mulher criada por IA nega em vídeo ter tido conversas e ter feito convites para viagem
Um vídeo postado pelo administrador da conta da personagem criada por inteligência artificial que motivou um homem a viajar por mais de 2 mil quilômetros para encontrar a suposta "pretendente virtual" afirma que nunca manteve conversas privadas nem fez convites para viagem a Belo Horizonte. Segundo o vídeo, em que a própria personagem de IA fala, o objetivo do conteúdo era ter engajamento.
No vídeo de "pronunciamento" da IA, a personagem nega ter tido contato com Edimar Rocha Martins, de 49 anos, que saiu de Imperatriz, no Maranhão, rumo a Belo Horizonte, na esperança de encontrar a mulher, que se apresenta como "Jéssica Oliveira" e "Jessica Fazendeira", que acumula mais de 300 mil seguidores nas redes sociais.
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"Vim aqui para dizer o óbvio: sou feita de inteligência artificial. Nunca conversei com ninguém nesse perfil. O intuito foi ganhar engajamento para vendas. Nunca falei diretamente com ninguém e muito menos levei alguém a Belo Horizonte. Foi uma surpresa para mim ver o que está acontecendo."
O caso ganhou repercussão depois que Edimar descobriu que a mulher com quem acreditava manter um relacionamento virtual não existia e havia sido criada por IA. Ele só desconfiou da inexistência da mulher após chegar a Belo Horizonte descobrir que ninguém nas ruas a conhecia.
Em entrevista ao g1, o homem contou que começou a "conversar" com a mulher depois que vídeos dela apareceram em suas redes sociais.
No vídeo postado pelo administrador do perfil nesta quarta-feira, a personagem afirma que não houve conversas privadas.
"Sobre o rapaz falar que trocou mensagem comigo, é mentira. O responsável desse perfil entrou agora, depois do perfil ficar algum tempo abandonado, pra dizer que é mentira. Então se alguém entrar em contato com alguém com a minha imagem, não acredite. E vou deixar claro novamente: não conversei com ninguém."
O que mulher criada por IA que 'enganou' homem promete a seguidores nas redes sociais
Polícia Civil faz alerta
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que não encontrou registros de ocorrência relacionados ao caso de Edimar Rocha Martins. Segundo a instituição, a criação de personagens fictícios por inteligência artificial não é crime, mas o uso da tecnologia para enganar pessoas e obter vantagens ilícitas pode configurar estelionato ou fraude eletrônica.
A corporação ressaltou que, até o momento, não é possível afirmar que houve crime no caso do pedreiro, já que isso depende da apuração das circunstâncias e da identificação de possíveis responsáveis.
A PCMG também alertou para os riscos de golpes envolvendo perfis falsos e recomendou que usuários confirmem a identidade de pessoas conhecidas pela internet antes de realizar viagens ou transferências financeiras.
Em caso de suspeita de fraude, a orientação é preservar mensagens, comprovantes e outras evidências digitais, além de registrar um boletim de ocorrência.
Entenda o caso
O perfil da personagem, com mais de 300 mil seguidores, reúne vídeos em que ela aparece em ambientes rurais, com referências à vida no campo.
Nos vídeos, a personagem falava sobre estar à procura de um companheiro para morar em uma fazenda no interior, usando frases como "quero te bancar" e "a fazenda vai ser sua".
"Eu quero que você venha pra cá pra viver vida de rei. Olha o tamanho dessa fazenda que vai ser sua", afirma em um dos posts.
A personagem de IA também chega a dizer que pretende sustentar o homem: "Algumas pessoas falam que eu sou besta, mas eu amo trabalhar e deixar o homem deitado
Como identificar uma pessoa criada por IA?
Segundo o especialista em Inteligência Artificial, Marketing e Gestão de TI Samuel Costa, personagens virtuais estão cada vez mais realistas e podem ser criados por praticamente qualquer pessoa com acesso à internet, sem necessidade de conhecimentos avançados em tecnologia.
Ele explica que, embora essas ferramentas tenham aplicações na publicidade e na produção de conteúdo, também podem ser utilizadas para aplicar golpes e enganar usuários.
Para identificar vídeos gerados por IA, o especialista recomenda observar movimentos pouco naturais, expressões faciais estranhas e falhas na sincronização entre a voz e os lábios. No entanto, alerta que esses sinais estão cada vez menos evidentes.
"A principal recomendação é verificar a origem do conteúdo. Quem publicou? O perfil é confiável? Existem outras fontes que confirmam aquela informação?", orienta.
Costa ressalta ainda que o Brasil não possui um marco regulatório abrangente e plenamente implementado para o uso da inteligência artificial.
Montagem mostra imagens de mulher criada por IA que motivou homem a fazer viagem de 2 mil km em busca de falsa pretendente virtual
Reprodução/Redes sociais
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