Mariana adere a acordo por rompimento da barragem de Fundão e vai receber R$ 2,4 bilhões
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Imagem mostra cenário após o rompimento da barragem em Mariana
Reprodução/Corpo de Bombeiros
A cidade de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, aderiu ao acordo de reparação pelos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em 2015. O município vai receber R$ 2,4 bilhões das empresas Samarco, Vale e BHP, e os primeiros repasses devem começar em 30 dias.
Além de Mariana, outros 18 municípios aderiram ao acordo.
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A repactuação homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2024, previa inicialmente R$ 1,2 bilhão para Mariana. A prefeitura, no entanto, considerou o valor insuficiente e decidiu não aderir naquele momento.
No ano passado, o município iniciou novas negociações. Nesta quarta-feira, um novo acordo garantiu mais R$ 1,2 bilhão, elevando para R$ 2,4 bilhões o total destinado à cidade.
O valor adicional será pago em seis anos. Já os R$ 1,2 bilhão previstos inicialmente na repactuação serão repassados ao longo de 20 anos.
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Como o dinheiro será usado
Segundo a prefeitura, os recursos não poderão ser usados para pagar a folha de pessoal nem dívidas do município. A intenção é aplicar o dinheiro em um fundo soberano e usar os rendimentos para financiar obras e projetos na cidade.
Entre as áreas previstas estão:
saneamento básico;
abastecimento de água;
habitação;
construção de uma alça viária para retirar carretas ligadas à mineração do trânsito da cidade.
O prefeito de Mariana, Juliano Duarte (PSB), afirmou que o município não aderiu à proposta anterior porque considerou o valor insuficiente diante dos danos causados pelo rompimento.
“Mariana foi a cidade mais atingida, e nós não assinamos porque entendemos que o valor era insuficiente para a mensuração dos danos no território”, disse.
Mariana deixa ação contra BHP na Inglaterra
Com a adesão ao acordo, Mariana deixa de fazer parte da ação que tramita na Inglaterra contra a BHP, controladora da Samarco junto com a Vale.
No ano passado, a Justiça britânica concluiu que a BHP tem responsabilidade pelo rompimento da barragem. O processo continua em andamento, e os valores de eventuais indenizações ainda não foram definidos.
Vista aérea do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, após o rompimento de barragens de rejeitos da mineradora Samarco
Ricardo Moraes/Reuters
Atingidos criticam falta de diálogo
A adesão ao acordo foi criticada por representantes de moradores atingidos pelo rompimento.
Romeu Oliveira, presidente da Associação de Moradores de Paracatu, afirmou que as comunidades deveriam ter sido ouvidas antes da decisão da prefeitura.
“Hoje eu, como representante, fico de pés e mãos amarrados depois de aderir a esse acordo sem ter um diálogo com nós, atingidos, antes”, afirmou.
Romeu também questionou como os atingidos poderão cobrar medidas de reparação depois da adesão do município.
Vista aérea da barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana
Reprodução/GloboNews
Veja as cidades que aderiram ao acordo
Além de Mariana, outros 18 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo aderiram ao Novo Acordo da Bacia do Rio Doce.
Em Minas Gerais:
Belo Oriente;
São José do Goiabal;
Naque;
Itueta;
Galileia;
Periquito;
Conselheiro Pena;
Aimorés;
Tumiritinga;
Ipaba;
Coronel Fabriciano;
Bom Jesus do Galho;
São Domingos do Prata;
Alpercata.
No Espírito Santo:
Sooretama;
Aracruz;
Marilândia;
Baixo Guandu.
Com as novas adesões, 45 dos 49 municípios atingidos e aptos a receber recursos passam a integrar o acordo.
Os quatro que ainda não aderiram são Ouro Preto, Governador Valadares e Resplendor, em Minas Gerais, e Colatina, no Espírito Santo.
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