Iphan aprova tombamento do Teatro Municipal de Ouro Preto, o mais antigo em funcionamento contínuo nas Américas
09/06/2026
(Foto: Reprodução) Iphan tomba teatro em Ouro Preto
O Teatro Municipal de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e se tornou patrimônio brasileiro.
A decisão foi tomada durante a 113ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, na tarde desta terça-feira (9). Por unanimidade, os conselheiros aprovaram a inscrição do teatro, antiga Casa da Ópera de Vila Rica, nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes, reconhecendo seus valores históricos, arquitetônicos, artísticos e simbólicos.
"Conclui-se pela pertinência do tombamento isolado do teatro, com a correspondente delimitação de proteção da edificação e de sua ambiência urbana, como forma de garantir a preservação integral de seus valores excepcionais e de sua integridade estrutural", destacou a conselheira Beatriz Bueno, relatora do parecer.
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Teatro Municipal de Ouro Preto
TV Globo/ Reprodução
Inaugurado em 1770, o imóvel integra o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto, tombado pelo Iphan desde 1938. Com quase dois séculos e meio de existência, é o mais antigo teatro em atividade contínua nas Américas.
A fachada austera, com empena triangular, guarda traços do estilo neoclássico, que se diferenciam da ornamentação exuberante das igrejas mineiras. No topo, a lira esculpida é o símbolo do espaço, erguido para ser a Casa da Ópera.
"Esse título vai abrir uma porta para que a gente possa buscar recursos públicos de uma maneira diferenciada para a preservação não só do espaço físico, mas da memória e da importância desse teatro dentro do contexto nacional", disse o diretor do Teatro Municipal de Ouro Preto, Roberto Sussuca.
Teatro Municipal de Ouro Preto
TV Globo/ Reprodução
Para a historiadora e pesquisadora Rosana Orsini, proteger o teatro significa preservar um passado de pioneirismo. Foi lá que as cortinas se abriram, na antiga Vila Rica, para que as mulheres subissem ao palco pela primeira vez, em uma época em que homens também faziam os papéis femininos.
"Era um lugar que tinha todo mundo junto, todo mundo num espaço pequeno, e talvez o único lugar da colônia onde todo mundo realmente podia conviver, guardadas as devidas distâncias, mas dentro de um mesmo espaço", explicou.
A escritora, dramaturga e professora da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) Guiomar de Grammont, que já teve textos interpretados no palco do Teatro Municipal, também celebrou o reconhecimento.
"Essa Casa da Ópera precisa continuar sendo a nossa casa, e esse título é como se fosse a celebração disso. Apontar que ela é a nossa casa é uma lira preciosa, que vai continuar sendo tocada ao longo do tempo. Aqui vão continuar sendo encenadas peças, talvez com tanta vitalidade como no século 19, em que houve aqui, em 1811, por exemplo, 45 apresentações num único ano".
Teatro Municipal de Ouro Preto
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