Investigação sobre contrato de R$ 348 milhões motivou exoneração de ex-secretário de Educação de MG, diz CGE
27/05/2026
(Foto: Reprodução) Audiência pública realizada na ALMG nesta quarta-feira (27)
Guilherme Bergamini
A exoneração do ex-secretário de Educação de Minas Gerais Rossieli Soares foi motivada por uma investigação da Controladoria-Geral do Estado (CGE) sobre um contrato de R$ 348,4 milhões para a aquisição de materiais didáticos para escolas.
O documento foi assinado no dia 23 de dezembro de 2025 e prevê a distribuição de aproximadamente 3,5 milhões de exemplares de livros para alunos e professores dos ensinos fundamental e médio. O estado aderiu a uma ata de registro de preços criada em São Paulo, sem realizar licitação própria.
🔎 A adesão à ata de registro de preços é um mecanismo que permite que um órgão público contrate uma empresa usando uma licitação já realizada anteriormente por outro órgão. Na prática, em vez de abrir uma nova concorrência, o governo “pega carona” em um contrato já existente.
Rossieli foi exonerado oficialmente em 28 de abril. O governo disse, à época, que a saída do ex-secretário estava relacionada a uma investigação da CGE, sem dar detalhes.
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Nesta quarta-feira (27), a controladora-geral do estado, Marcela Oliveira Ferreira Dias, afirmou que a denúncia de um servidor público sobre irregularidades na compra de materiais didáticos, em 16 de dezembro de 2025, deu início às apurações. Ela foi ouvida em uma audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
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De acordo com Marcela Dias, em 9 de janeiro, a CGE emitiu um primeiro relatório preliminar sobre o caso. Em 27 de abril, as conclusões de um segundo relatório foram levadas ao governador Mateus Simões (PSD). A exoneração de Rossieli foi publicada no dia seguinte.
A controladora-geral não informou quais irregularidades são investigadas no contrato nem explicou por que o ex-secretário foi exonerado.
Contrato está em vigor, e empresa já recebeu R$ 170 milhões
A presidente da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), questionou o fato de o contrato alvo das investigações ainda estar em vigor. Segundo ela, a empresa contratada, Fazer Educação, já recebeu cerca de R$ 170 milhões.
"Por que o governo continuou com esse contrato, fazendo inclusive já o pagamento de R$ 170 milhões?", perguntou Beatriz.
Investigações continuam
A deputada Lohanna (PV) questionou o que, de fato, levou à exoneração do ex-secretário de Educação Rossieli Soares.
"Por que o secretário foi demitido? [...] O que tinha nesse relatório do dia 27 [de abril] de tão grave que no dia 28 saiu a demissão dele no Diário [Oficial do Estado]? A gente precisa saber", afirmou a parlamentar.
Marcela Dias disse que não poderia dar detalhes sobre a investigação para não prejudicar o procedimento, ainda em andamento. A previsão é que a conclusão ocorra em até 60 dias.
"Não faz parte da competência da CGE realizar medidas de gestão. O que a gente faz realmente: apura denúncias e faz relatórios imparciais, técnicos, que são levadas aos gestores. E são os gestores que tomam, com base na gestão de risco de cada um e a sua responsabilidade, as decisões", declarou a controladora-geral do estado.
O que dizem as partes
O ex-secretário de Educação Rossieli Soares afirmou que, até o momento, "não teve acesso a qualquer relatório relacionado à apuração, nem durante o exercício de suas funções à frente da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, nem após sua saída do cargo".
Ele disse que a contratação "seguiu integralmente os parâmetros legais [...], com comprovação objetiva de vantajosidade econômica".
"O ex-secretário afirma que está absolutamente tranquilo em relação à sua atuação, conduzida com rigor técnico, legalidade e compromisso com o interesse público".
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação e com a Fazer Educação, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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