Famílias denunciam demora por leitos hospitalares na Grande BH mesmo após decisões da Justiça
09/06/2026
(Foto: Reprodução) Francisco Firmino, de 47 anos, está internado há duas semanas na UPA de Justinópolis, em Ribeirão das Neves
Reprodução/TV Globo
Duas famílias da Região Metropolitana de Belo Horizonte denunciam a demora na transferência de pacientes internados em unidades de pronto atendimento (UPAs), mesmo após decisões judiciais determinando o encaminhamento para hospitais de maior complexidade.
Em Ribeirão das Neves, um homem de 47 anos aguarda cirurgia após sofrer fraturas na bacia e no cóccix. Em Sabará, uma idosa de 77 anos está entubada há mais de duas semanas à espera de uma vaga em CTI.
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Os casos ocorrem em meio à pressão sobre o sistema de regulação de leitos. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, 949 pacientes aguardavam internação hospitalar nesta semana. Desse total, 61% são moradores de outros municípios.
Homem aguarda cirurgia há duas semanas
Francisco Firmino, de 47 anos, está internado há duas semanas na UPA de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, após sofrer fraturas na bacia e no cóccix em um acidente. Segundo a família, ele precisa ser transferido para um hospital para passar por cirurgias.
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No início deste mês, a Justiça determinou a internação do paciente em uma unidade adequada, mas ele continua aguardando vaga.
"Ele está emagrecendo. Quanto mais demora, maior o risco de sequelas. É muito triste", disse a esposa, Rosilaine de Almeida.
Em nota, a Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que Francisco Firmino recebe assistência na unidade enquanto aguarda transferência.
Idosa entubada espera vaga em CTI em Sabará
A aposentada Geralda Braga, de 77 anos, está internada na UPA Padre Lázaro, em Sabará, desde 26 de maio. Após sofrer uma parada cardiorrespiratória, ela permanece entubada e aguarda transferência para um CTI.
A família acionou o Ministério Público, que obteve na Justiça uma decisão determinando a transferência imediata da paciente, inclusive para a rede particular caso não haja vaga pelo SUS. Mesmo assim, a idosa segue na UPA.
"Cada dia dão uma data diferente. Minha mãe continua no mesmo estado", afirmou o filho, Carlos Braga de Alcântara.
A Prefeitura de Sabará informou que Geralda Braga recebe atendimento na sala de urgência e emergência enquanto aguarda transferência para um CTI. O município acrescentou que seis hospitais consultados nesta terça-feira recusaram a paciente por falta de leitos.
Foto mostra Carlos Braga durante entrevista à TV Globo, em que denuncia a situação da mãe, internada em uma UPA de Sabará, na Grande BH
Reprodução/TV Globo
Quase mil pacientes aguardam leitos em BH
Os dois casos acontecem em meio à alta demanda por internações na capital mineira.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, 949 pacientes aguardam leitos hospitalares na cidade. Desse total, cerca de 61% são pacientes de municípios da Região Metropolitana e do interior do estado.
Desde maio, a regulação das transferências é feita pela Central de Operações para Regulação Estadual (Core), que substituiu o sistema SUSFácil e atua de forma integrada com a Central de Internação de Belo Horizonte.
O que dizem os órgãos responsáveis
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que a Core realiza busca ativa por vagas compatíveis com a necessidade de cada paciente.
Segundo a pasta, mais de 200 médicos participam da análise dos casos e da definição dos encaminhamentos.
Já a Central de Internação de Belo Horizonte informou que o tempo de espera varia de acordo com a gravidade do quadro clínico e a disponibilidade de vagas na rede hospitalar.
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