Exame identifica ecstasy e anfetamina na urina de capitã da PM morta em Belo Horizonte
31/07/2026
(Foto: Reprodução) Capitã da PM morta em BH: o que a investigação descobriu até agora
Um exame feito pela Polícia Civil de Minas Gerais durante as investigações sobre a morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, apontou a presença de substâncias associadas ao ecstasy e de anfetamina no organismo da vítima. O laudo foi obtido pela TV Globo nesta sexta-feira (31) e faz parte das apurações sobre o caso, tratado até o momento como feminicídio.
O Laboratório de Toxicologia do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte analisou a urina da PM e detectou compostos sintéticos como metilenodioxianfetamina (MDA) e metilenodioximetanfetamina (MDMA) na amostra (leia mais abaixo). A análise começou no último 23 de julho, três dias após a policial morrer.
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Segundo o laudo, o material coletado passou por testes de triagem toxicológica para identificar a presença de diferentes drogas e medicamentos. Entre as substâncias pesquisadas estavam cocaína, maconha, metanfetamina, morfina, metadona, benzodiazepínicos e anfetaminas.
Além disso, a amostra foi submetida a exames laboratoriais mais detalhados por cromatografia e espectrometria de massas, técnicas utilizadas para a detecção de compostos químicos.
Resultado do exame
O exame toxicológico identificou metilenodioxianfetamina (MDA) e metilenodioximetanfetamina (MDMA), que são substâncias associadas ao ecstasy, e de anfetamina na urina da capitã. A detecção desses compostos no organismo da PM, entretanto, não permite concluir a causa da morte, que continua sendo investigada pela Polícia Civil.
🔍 O ecstasy é uma droga sintética estimulante e alucinógena, geralmente consumida em comprimidos e conhecida por provocar sensação de euforia, aumento da energia e alterações na percepção. Já a anfetamina é uma substância estimulante do sistema nervoso central, que pode causar maior estado de alerta e disposição.
Conforme o IML, o resultado foi obtido com base nas metodologias utilizadas rotineiramente pelo Laboratório de Toxicologia.
Relembre o caso
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo morreu na noite de 20 de julho. Ela foi levada já sem vida pelo marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
O homem foi preso em flagrante depois que a equipe médica identificou múltiplos ferimentos pelo corpo da policial, além de um corte profundo na região frontal da cabeça. Segundo a Polícia Civil, os sinais apresentados pela vítima eram compatíveis com violência. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
Em depoimento, Eduardo Abner negou ter cometido qualquer crime. Ele alegou que o casal havia consumido bebidas alcoólicas e drogas durante uma festa realizada no apartamento onde moravam. O sargento afirmou que os ferimentos ocorreram durante práticas sexuais consensuais e disse ainda que Michele caiu de uma escada e bateu a cabeça.
Os primeiros levantamentos da investigação, no entanto, indicaram que a capitã havia morrido entre quatro e seis horas antes de dar entrada no hospital. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
O que a investigação já encontrou
Durante as primeiras diligências no apartamento, investigadores apreenderam um cabo de madeira quebrado, encontrado no lixo próximo à saída de emergência do prédio. Conforme o boletim de ocorrência, o objeto pode ter sido utilizado nas agressões.
A polícia também constatou que as roupas de cama haviam sido retiradas da cama e estavam limpas, ainda molhadas, dentro da máquina de lavar. O carro de Eduardo Abner também foi apreendido e já passou por perícia.
Na última terça-feira (28), investigadores fizeram uma perícia complementar no local. Segundo a delegada responsável pelo caso, novas diligências ainda podem ser realizadas e, por isso, o apartamento permanecerá interditado pelos próximos dias até a conclusão da investigação.
Imagem aérea do apartamento do casal em Belo Horizonte
Reprodução/TV Globo
Laudo do IML é aguardado
Segundo a Polícia Civil, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), que deve apontar oficialmente a causa da morte de Michele Leão Azevedo, deverá ser concluído nos próximos dias.
O novo advogado de Eduardo Abner acompanhou os trabalhos da perícia na última terça-feira (28), mas preferiu não conceder entrevista.
Ao deixar o prédio, o tio da capitã, Marlon de Carvalho Leão, afirmou que a família aguarda a conclusão da investigação.
"A família está consternada. É um negócio violento demais. Ninguém esperava por isso. Foi chocante para todo mundo. No velório, amigos da farda, desde o soldado até o coronel, estavam estarrecidos e revoltados com tudo o que aconteceu", disse o familiar.
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Capitã da PMMG Michele Leão Azevedo e o marido dela, sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, principal suspeito do crime.
Reprodução/Redes sociais