Delegada esposa de empresário que matou gari sabia que marido usava a arma dela, diz polícia
29/08/2025
(Foto: Reprodução) Renê da Silva Nogueira Júnior e a delegada Ana Paula Balbino Nogueira
Reprodução/redes sociais
A delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, esposa do empresário que matou o gari Laudemir Fernandes, foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo. Segundo a Polícia Civil, ela sabia que o marido usava o armamento registrado em nome dela. A informação foi divulgada em coletiva nesta sexta-feira (29).
O advogado Leonardo Avellar Guimarães, que representa a delegada, disse que ainda não teve acesso ao inquérito e que ficou surpreso com o indiciamento, já que ela não foi chamada para prestar depoimento. Ao g1, ele informou que vai se manifestar "mais para frente".
O crime aconteceu no último 11 de agosto, no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte, após Renê Júnior se irritar no trânsito e atirar contra o gari (relembre abaixo).
Na mesma data, duas armas de propriedade da delegada foram encontradas na residência do casal. Uma delas pertence à instituição e está sendo analisada no inquérito que tramita na Corregedoria. A outra, de uso pessoal dela, foi usada no crime, como constatou o exame de balística.
Ana Paula passou a ser investigada pela Subcorregedoria da Polícia Civil, foi afastada das funções por 60 dias para tratamento de saúde e, agora, indiciada por emprestar o armamento ao marido.
A investigação
Durante a investigação, o telefone pessoal da delegada foi recolhido, e mensagens trocadas entre o casal mostraram que Ana Paula tinha conhecimento do uso frequente da arma por Renê Júnior.
"Nessa extração de aparelho celular, a esposa do investigado se tornou investigada também, a partir do momento que notamos que ela tinha ciência de que ele fazia o uso dessa arma de fogo com constância e, naquele dia, estava com aquela arma de fogo, que era de propriedade dela", afirmou o delegado Evandro Radaelli, um dos responsáveis pela investigação.
No entanto, não foi possível confirmar se a delegada sabia do homicídio.
"Há várias mensagens apagadas no celular dele. Isso dificultou essa conclusão sobre a ciência ou não da prática criminosa", explicou o delegado Matheus Marques.
Por ser servidora pública, Ana Paula pode ter a pena aumentada em até 50%, além da punição prevista para o crime, que varia de dois a quatro anos de prisão. A decisão será tomada pelo Poder Judiciário.
Veja os principais pontos do inquérito que será encaminhado à Justiça:
Provas testemunhais, interrogatório do investigado, perícias técnicas, análises de imagens de câmeras de segurança, informações fornecidas pela montadora do carro de Renê e dados do celular dele confirmaram a autoria do crime.
O empresário foi indiciado por homicídio qualificado, por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa do gari Laudemir Fernandes, ameaça contra a motorista que dirigia o caminhão de lixo e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
Com base na extração de dados do celular de Renê, os investigadores concluíram que o empresário realizou diversas pesquisas referentes às consequências do crime e desqualificaram o depoimento que ele deu sobre "não pensar que o disparo atingiu alguém".
Ainda com base nas informações do aparelho, a Polícia Civil descobriu que a delegada sabia que o empresário fazia o uso da arma dela com constância e que estava com o armamento no dia do crime. Para os investigadores, ele demonstrava fascínio por armas e as utilizava com frequência.
Ela também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, em razão de estar previsto na lei o ato de "ceder" ou "emprestar".
Relembre o caso
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Segundo a investigação, Renê se irritou com o caminhão de coleta de lixo que bloqueava a rua e ameaçou a motorista do veículo. Quando os garis tentaram intervir, ele desceu do carro armado e atirou. Laudemir Fernandes foi atingido com um tiro e não resistiu aos ferimentos.
A arma usada no crime pertencia à esposa do empresário, a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira. Ela é investigada pela Subcorregedoria da Polícia Civil por possível negligência na guarda do armamento e, nesta semana, foi afastada das funções na delegacia por 60 dias para tratamento de saúde.
Renê foi preso em flagrante no mesmo dia, em uma academia no bairro Estoril. Inicialmente, ele negou o crime, mas depois confessou em depoimento à Polícia Civil. Em carta escrita na prisão, o empresário afirmou que o caso foi um “acidente” e um “mal-entendido”.
A filha de Laudemir, uma adolescente de 15 anos, entrou com uma ação judicial pedindo indenização de R$ 500 mil por danos morais, pensão alimentícia e custeio de tratamento psicológico. A defesa também solicitou o bloqueio de até R$ 3 milhões em bens do empresário e da delegada para garantir o pagamento da indenização.
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Arte/g1
O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, casado com a delegada Ana Paula Balbino Nogueira, foi preso pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes
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