Choro, falsa preocupação e história sobre prisão no México: como a polícia chegou ao ex-marido de diarista morta em Inhapim
03/07/2026
(Foto: Reprodução) Jovem desaparecida é encontrada morta em Inhapim
A investigação sobre o desaparecimento da diarista Flávia Silva Marques, de 27 anos, encontrada morta nesta quinta-feira (2), seis dias após desaparecer em Inhapim, no Leste de Minas Gerais, revelou como a Polícia Civil chegou ao ex-marido da vítima. As informações foram apresentadas durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira (3).
Segundo os investigadores, o comportamento do ex-marido da vítima e uma sequência de elementos reunidos durante os trabalhos foram determinantes para que a Polícia Civil passasse a apontá-lo como autor do feminicídio.
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Desaparecimento e suspeita de crime
A apuração começou na segunda-feira (29), quando familiares registraram o desaparecimento de Flávia. Segundo a Polícia Civil, eles relataram que a diarista havia deixado as duas filhas na casa dos pais para ir a uma festa no sábado (27).
Como ela não voltou no domingo para buscá-las nem compareceu ao trabalho na segunda-feira, decidiram procurar a polícia.
De acordo com o delegado Ivan Sales, esse comportamento fez com que a Polícia Civil tratasse o caso como um possível crime desde os primeiros levantamentos.
Um detalhe identificado durante a análise das imagens chamou a atenção dos investigadores logo no início das diligências.
"A gente conseguiu levantar que o investigado teve contato com a vítima logo após esse desaparecimento [...] mediante câmeras, foi possível levantar que, assim que ela sai para ir nessa festa, passa aproximadamente 15, 20 segundos, o carro do investigado a segue. E ela é vista posteriormente somente num trilho, que não é um local, digamos assim, comum para ela passar", disse.
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Tentativa de álibi
Enquanto a Polícia Civil reconstruía os últimos passos de Flávia, o comportamento do ex-marido nos dias seguintes ao desaparecimento passou a chamar a atenção dos investigadores.
Segundo Ivan Sales, o homem procurou familiares da vítima, se ofereceu para ficar com as duas filhas e chegou a procurar a Polícia Militar dizendo estar preocupado com o paradeiro da ex-mulher.
"O investigado, tentando um álibi, fez contato com os familiares da vítima mostrando uma preocupação. Ligou para a mãe, para a irmã da vítima falando que queria o bem da Flávia, que não deixaria nada de ruim acontecer com ela [...] Procurou a Polícia Militar, chorou copiosamente junto aos militares com preocupação pelo desaparecimento da Flávia."
Conforme a investigação avançava, novas atitudes do investigado reforçaram a suspeita da equipe de que ele poderia fugir.
"Ele fez contato com a irmã da Flávia querendo entregar novamente as crianças [...]. Depois [...] procurou um policial militar dizendo que tinha tomado conhecimento, por meio de um parente dele, que a Flávia havia sido presa no México."
Na avaliação da Polícia Civil, a sucessão de acontecimentos indicava que o investigado poderia deixar a cidade. Antes mesmo de concluir a representação pela prisão temporária, o delegado Ivan Sales determinou que a equipe fosse até a casa dele para abordá-lo.
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Redes sociais
Segundo o delegado, durante a conversa com os investigadores, o homem percebeu que a polícia já havia reunido elementos suficientes para ligá-lo ao desaparecimento de Flávia.
"A partir dali os investigadores, conversando com ele, ele já vê que as coisas já estavam, que a polícia já estava no encalço dele."
Foi nesse momento, segundo a polícia, que o investigado começou a indicar onde havia dispensado a bolsa com o celular , maquiagem e os pertences da vítima.
Em seguida, levou os policiais até a área de mata, perto de um cafezal, onde o corpo foi localizado.
"E acabou por nos levar no local onde, na fala dele, a vítima teria caído."
Resgate do corpo
Depois que o investigado indicou a área onde o corpo estava, os policiais iniciaram as buscas em uma região de mata fechada e de difícil acesso.
Região apontada pelo suspeito, perto de um cafezal, de onde o Flávia teria 'caído' em Inhapim
Reprodução/Edson Simões
Segundo o delegado Sávio Moraes, a equipe conseguiu localizar Flávia ainda na tarde de quinta-feira (2), mas a retirada precisou ser adiada porque os investigadores não tinham equipamentos para fazer o resgate com segurança.
"Mesmo que a gente encontrasse o corpo, o que foi feito, a gente não conseguiria retirar porque a gente não tinha aparato suficiente para tal."
Ainda conforme o delegado, o Corpo de Bombeiros foi acionado e, após avaliação das condições do terreno, ficou decidido que o resgate seria realizado na manhã desta sexta-feira (3).
Versão contestada
Segundo a Polícia Civil, o investigado afirmou que Flávia caiu de um penhasco depois que os dois tiveram uma relação sexual. A versão, porém, é contestada pela investigação.
Na avaliação do delegado Ivan Sales, a perícia encontrou elementos incompatíveis com o relato apresentado pelo homem.
"Ela fala que, na hora que a vítima foi vestir o short preto, ela desequilibra e cai. Só que esse short [...] estava muito bem acomodado ao pé da árvore."
O delegado informou ainda que o investigado apresentava arranhões nas costas, o que pode indicar uma tentativa de defesa da vítima. A causa da morte ainda depende da conclusão do exame necroscópico.
Sequestro, estupro e tortura
O promotor de Justiça, Jonas Monteiro, afirmou que a investigação aponta indícios da prática de outros crimes, como estupro, sequestro e tortura.
Segundo ele, a conclusão do inquérito vai definir quais acusações serão incluídas na denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Para o promotor, as provas reunidas até o momento não deixam dúvidas sobre a autoria do crime.
"Nós temos certeza absoluta da autoria. Temos certeza absoluta de que ele matou ela de forma violenta."
Para o MP, caso os indícios sejam confirmados, as penas podem ultrapassar um século de prisão.
"O crime de feminicídio nessas circunstâncias pode a pena chegar tranquilamente a 60 anos. O crime de estupro [...] passa de 20 anos. Nós temos possivelmente o crime de sequestro, crime de tortura. Essas penas somadas tranquilamente passam de 100 anos. Tempo suficiente para ele passar o resto da vida na cadeia."
Para o promotor, o investigado não conseguirá alcançar o objetivo de escapar da responsabilização.
"O primeiro objetivo dele de tirar a vida, nós não podemos retornar. Mas o segundo objetivo de ficar impune, você pode ter certeza que ele não vai conseguir."
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