Advogado é condenado a indenizar policial penal por injúria racial
31/08/2025
(Foto: Reprodução) Advogado é condenado por ataques racistas
A Justiça condenou o advogado Gregório Antônio Fernandes de Andrade a pagar indenização a um policial penal vítima de injúria racial em Belo Horizonte. O crime aconteceu em agosto de 2020, dentro do presídio Ceresp Gameleira, durante o expediente da vítima. Cabe recurso.
Segundo o processo, o advogado ofendeu o servidor público com xingamentos racistas depois de ser informado de que não poderia pedir a um preso, que era seu cliente, para escrever uma carta à família.
Testemunhas relataram que Gregório gritou ofensas de cunho racial, tentou fugir do local, mas foi preso e algemado.
A defesa do advogado afirmou que a "denúncia é vazia de lastro probatório" (leia mais abaixo).
O policial penal, Francisco Júnior Ribeiro, hoje mora nos Estados Unidos e falou sobre a decisão da Justiça em entrevista por videoconferência.
"Eu acredito na Justiça brasileira e espero que realmente esse processo continue em andamento. E que dê tudo certo, que a Justiça possa entender que o que ele fez foi errado", disse a vítima.
'Reparação pessoal e histórica'
Os advogados de Francisco destacaram que a condenação representa uma reparação pessoal e também histórica diante do racismo.
Gregório já havia sido preso em 2016 pelo crime de injúria e tem ao menos seis boletins de ocorrência por desacato registrados contra ele. O homem também chegou a integrar a Comissão de Direitos Humanos da OAB-MG.
A defesa do réu afirmou, em nota, que a denúncia apresentada é “vazia de lastro probatório, baseada unicamente em narrativas contraditórias de agentes estatais, sem qualquer elemento independente de confirmação”.
Advogado Gregório Antônio Fernandes de Andrade, condenado por injúria racial
Reprodução/TV Globo
Racismo em Minas
Desde 2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo. A infração é imprescritível e inafiançável, e a pena foi ampliada.
Dados do Observatório de Segurança Pública mostram que os casos seguem em alta em Minas Gerais. Entre janeiro e abril deste ano, foram 68 registros de racismo, aumento de quase 8% em relação ao mesmo período de 2024. Só em Belo Horizonte, foram 14 casos em 2025 até abril.